Jó 6
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1Então Jó respondeu:
1Respondens autem Job, dixit:
2“Ah, se a minha angústia fosse pesada, e toda a minha calamidade colocada na balança!
2[Utinam appenderentur peccata mea quibus iram merui, et calamitas quam patior, in statera !
3Pois agora seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso as minhas palavras foram precipitadas.
3Quasi arena maris hæc gravior appareret; unde et verba mea dolore sunt plena:
4Pois as flechas do Todo-Poderoso estão em mim. O meu espírito bebe o seu veneno. Os terrores de Deus se alinham contra mim.
4quia sagittæ Domini in me sunt, quarum indignatio ebibit spiritum meum; et terrores Domini militant contra me.
5Por acaso o jumento selvagem zurra quando tem capim? Ou o boi muge sobre a sua forragem?
5Numquid rugiet onager cum habuerit herbam? aut mugiet bos cum ante præsepe plenum steterit?
6Pode o que não tem sabor ser comido sem sal? Ou há algum gosto na clara do ovo?
6aut poterit comedi insulsum, quod non est sale conditum? aut potest aliquis gustare quod gustatum affert mortem?
7A minha alma se recusa a tocá-los. Eles são para mim como comida repugnante.
7Quæ prius nolebat tangere anima mea, nunc, præ angustia, cibi mei sunt.
8“Ah, se eu pudesse ter o meu pedido atendido, que Deus me concedesse aquilo que eu tanto desejo;
8Quis det ut veniat petitio mea, et quod expecto tribuat mihi Deus?
9que fosse do agrado de Deus me esmagar; que ele soltasse a sua mão e me eliminasse!
9et qui cœpit, ipse me conterat; solvat manum suam, et succidat me?
10Que isso ainda seja a minha consolação, sim, que eu exulte na dor que não poupa, de que não neguei as palavras do Santo.
10Et hæc mihi sit consolatio, ut affligens me dolore, non parcat, nec contradicam sermonibus Sancti.
11Qual é a minha força, para que eu espere? Qual é o meu fim, para que eu seja paciente?
11Quæ est enim fortitudo mea, ut sustineam? aut quis finis meus, ut patienter agam?
12É a minha força a força das pedras? Ou é a minha carne de bronze?
12Nec fortitudo lapidum fortitudo mea, nec caro mea ænea est.
13Não é verdade que não há ajuda em mim, e que a sabedoria foi afastada de mim?
13Ecce non est auxilium mihi in me, et necessarii quoque mei recesserunt a me.
14“Àquele que está prestes a desfalecer, o seu amigo deveria mostrar bondade; mesmo àquele que abandona o temor do Todo-Poderoso.
14Qui tollit ab amico suo misericordiam, timorem Domini derelinquit.
15Meus irmãos agiram de forma enganosa como um riacho, como o leito dos riachos que desaparecem;
15Fratres mei præterierunt me, sicut torrens qui raptim transit in convallibus.
16que ficam escuros por causa do gelo, nos quais a neve se esconde.
16Qui timent pruinam, irruet super eos nix.
17Na estação seca, eles desaparecem. Quando faz calor, eles são consumidos do seu lugar.
17Tempore quo fuerint dissipati, peribunt; et ut incaluerit, solventur de loco suo.
18As caravanas que viajam ao lado deles se desviam. Elas sobem para o deserto, e perecem.
18Involutæ sunt semitæ gressuum eorum; ambulabunt in vacuum, et peribunt.
19As caravanas de Tema olharam. As companhias de Sabá esperaram por eles.
19Considerate semitas Thema, itinera Saba, et expectate paulisper.
20Ficaram angustiados porque estavam confiantes. Chegaram lá, e ficaram confundidos.
20Confusi sunt, quia speravi: venerunt quoque usque ad me, et pudore cooperti sunt.
21Pois agora vocês não são nada. Vocês veem um terror, e ficam com medo.
21Nunc venistis; et modo videntes plagam meam, timetis.
22Por acaso eu disse alguma vez: ‘Deem-me algo’? ou: ‘Ofereçam-me um presente dos seus bens’?
22Numquid dixi: Afferte mihi, et de substantia vestra donate mihi?
23ou: ‘Livrem-me da mão do adversário’? ou: ‘Resgatem-me da mão dos opressores’?
23vel: Liberate me de manu hostis, et de manu robustorum eruite me?
24“Ensinem-me, e eu me calarei. Façam-me entender o meu erro.
24Docete me, et ego tacebo: et si quid forte ignoravi, instruite me.
25Como são fortes as palavras de retidão! Mas a repreensão de vocês, o que ela repreende?
25Quare detraxistis sermonibus veritatis, cum e vobis nullus sit qui possit arguere me?
26Vocês pretendem repreender palavras, sendo que os discursos de um desesperado são como o vento?
26Ad increpandum tantum eloquia concinnatis, et in ventum verba profertis.
27Sim, vocês até lançariam sortes sobre o órfão, e fariam comércio do seu amigo.
27Super pupillum irruitis, et subvertere nitimini amicum vestrum.
28Agora, portanto, por favor, olhem para mim, pois certamente não mentirei na face de vocês.
28Verumtamen quod cœpistis explete: præbete aurem, et videte an mentiar.
29Por favor, voltem atrás. Que não haja injustiça. Sim, voltem novamente. A minha causa é justa.
29Respondete, obsecro, absque contentione; et loquentes id quod justum est, judicate.
30Há injustiça na minha língua? Não pode o meu paladar discernir coisas más?
30Et non invenietis in lingua mea iniquitatem, nec in faucibus meis stultitia personabit.]
Tip: use the ← and → keys to turn chapters.