Jó 31
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1“Fiz uma aliança com os meus olhos; como, então, eu poderia olhar com cobiça para uma jovem?
1[Pepigi fœdus cum oculis meis, ut ne cogitarem quidem de virgine.
2Pois qual é a porção que vem de Deus lá de cima, e a herança do Todo-Poderoso nas alturas?
2Quam enim partem haberet in me Deus desuper, et hæreditatem Omnipotens de excelsis?
3Não é a calamidade para os injustos, e o desastre para os que praticam a iniquidade?
3Numquid non perditio est iniquo, et alienatio operantibus injustitiam?
4Acaso ele não vê os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?
4Nonne ipse considerat vias meas, et cunctos gressus meos dinumerat?
5“Se andei com falsidade, e o meu pé se apressou para o engano
5Si ambulavi in vanitate, et festinavit in dolo pes meus,
6(que eu seja pesado em balança justa, para que Deus conheça a minha integridade);
6appendat me in statera justa, et sciat Deus simplicitatem meam.
7se o meu passo se desviou do caminho, se o meu coração seguiu os meus olhos, se alguma impureza se apegou às minhas mãos,
7Si declinavit gressus meus de via, et si secutum est oculos meos cor meum, et si manibus meis adhæsit macula,
8então que eu semeie, e outro coma. Sim, que as colheitas do meu campo sejam arrancadas pelas raízes.
8seram, et alius comedat, et progenies mea eradicetur.
9“Se o meu coração foi seduzido por uma mulher, e fiquei à espreita na porta do meu vizinho,
9Si deceptum est cor meum super muliere, et si ad ostium amici mei insidiatus sum,
10então que a minha esposa moa para outro, e que outros se deitem com ela.
10scortum alterius sit uxor mea, et super illam incurventur alii.
11Pois isso seria um crime hediondo. Sim, seria uma iniquidade a ser punida pelos juízes,
11Hoc enim nefas est, et iniquitas maxima.
12pois é um fogo que consome até a destruição, e arrancaria pelas raízes todo o meu ganho.
12Ignis est usque ad perditionem devorans, et omnia eradicans genimina.
13“Se desprezei a causa do meu servo ou da minha serva, quando eles tinham uma queixa contra mim,
13Si contempsi subire judicium cum servo meo et ancilla mea, cum disceptarent adversum me:
14o que, então, farei quando Deus se levantar? Quando ele me pedir contas, o que lhe responderei?
14quid enim faciam cum surrexerit ad judicandum Deus? et cum quæsierit, quid respondebo illi?
15Aquele que me formou no ventre não o formou também? Não foi o mesmo que nos moldou no ventre?
15Numquid non in utero fecit me, qui et illum operatus est, et formavit me in vulva unus?
16“Se neguei aos pobres o seu desejo, ou fiz com que os olhos da viúva desfalecessem,
16Si negavi quod volebant pauperibus, et oculos viduæ expectare feci;
17ou se comi o meu pedaço de pão sozinho, sem que o órfão comesse dele
17si comedi buccellam meam solus, et non comedit pupillus ex ea
18(não, desde a minha juventude ele cresceu comigo como com um pai, e a tenho guiado desde o ventre da minha mãe);
18(quia ab infantia mea crevit mecum miseratio, et de utero matris meæ egressa est mecum);
19se vi alguém perecer por falta de roupa, ou que o necessitado não tinha coberta;
19si despexi pereuntem, eo quod non habuerit indumentum, et absque operimento pauperem;
20se o seu coração não me abençoou, se ele não foi aquecido com a lã das minhas ovelhas;
20si non benedixerunt mihi latera ejus, et de velleribus ovium mearum calefactus est;
21se levantei a minha mão contra o órfão, porque vi que eu tinha apoio na porta;
21si levavi super pupillum manum meam, etiam cum viderem me in porta superiorem:
22então que o meu ombro caia da omoplata, e que o meu braço seja quebrado do osso.
22humerus meus a junctura sua cadat, et brachium meum cum suis ossibus confringatur.
23Pois a calamidade que vem de Deus é um terror para mim. Por causa da sua majestade, eu nada poderia fazer.
23Semper enim quasi tumentes super me fluctus timui Deum, et pondus ejus ferre non potui.
24“Se fiz do ouro a minha esperança, e disse ao ouro puro: ‘Você é a minha confiança’;
24Si putavi aurum robur meum, et obrizo dixi: Fiducia mea;
25Se me alegrei porque a minha riqueza era grande, e porque a minha mão havia alcançado muito;
25si lætatus sum super multis divitiis meis, et quia plurima reperit manus mea;
26se olhei para o sol quando brilhava, ou para a lua movendo-se em esplendor,
26si vidi solem cum fulgeret, et lunam incedentem clare,
27e o meu coração foi secretamente seduzido, e a minha mão atirou um beijo da minha boca;
27et lætatum est in abscondito cor meum, et osculatus sum manum meam ore meo:
28isso também seria uma iniquidade a ser punida pelos juízes, pois eu teria negado a Deus que está nas alturas.
28quæ est iniquitas maxima, et negatio contra Deum altissimum.
29“Se me alegrei com a destruição daquele que me odiava, ou me exaltei quando o mal o alcançou
29Si gavisus sum ad ruinam ejus qui me oderat, et exsultavi quod invenisset eum malum:
30(certamente não permiti que a minha boca pecasse, pedindo a sua vida com uma maldição);
30non enim dedi ad peccandum guttur meum, ut expeterem maledicens animam ejus.
31se os homens da minha tenda não disseram: ‘Quem pode encontrar alguém que não tenha se fartado com a sua carne?’
31Si non dixerunt viri tabernaculi mei: Quis det de carnibus ejus, ut saturemur?
32(o estrangeiro não acampou na rua, mas abri as minhas portas ao viajante);
32foris non mansit peregrinus: ostium meum viatori patuit.
33se, como Adão, encobri as minhas transgressões, escondendo a minha iniquidade no meu coração,
33Si abscondi quasi homo peccatum meum, et celavi in sinu meo iniquitatem meam;
34porque temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me aterrorizava, de modo que me calei, e não saí da porta —
34si expavi ad multitudinem nimiam, et despectio propinquorum terruit me: et non magis tacui, nec egressus sum ostium.
35ah, se eu tivesse alguém para me ouvir! Eis aqui a minha assinatura! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu acusador escreva a acusação contra mim!
35Quis mihi tribuat auditorem, ut desiderium meum audiat Omnipotens, et librum scribat ipse qui judicat,
36Certamente eu a levaria sobre o meu ombro, e a amarraria a mim como uma coroa.
36ut in humero meo portem illum, et circumdem illum quasi coronam mihi?
37Eu lhe declararia o número dos meus passos. Eu me aproximaria dele como um príncipe.
37Per singulos gradus meos pronuntiabo illum, et quasi principi offeram eum.
38Se a minha terra clamar contra mim, e os seus sulcos chorarem juntos;
38Si adversum me terra mea clamat, et cum ipsa sulci ejus deflent:
39se comi os seus frutos sem pagar, ou fiz com que os seus donos perdessem a vida,
39si fructus ejus comedi absque pecunia, et animam agricolarum ejus afflixi:
40que cresçam espinheiros em lugar de trigo, e ervas daninhas em lugar de cevada.” As palavras de Jó terminaram.
40pro frumento oriatur mihi tribulus, et pro hordeo spina.] Finita sunt verba Job.
Tip: use the ← and → keys to turn chapters.