Jó 9
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1Então Jó respondeu:
1Et respondens Job, ait:
2“Verdadeiramente eu sei que é assim, mas como pode o homem ser justo diante de Deus?
2[Vere scio quod ita sit, et quod non justificetur homo compositus Deo.
3Se ele quiser contender com ele, não poderá responder-lhe uma vez em mil.
3Si voluerit contendere cum eo, non poterit ei respondere unum pro mille.
4Deus é sábio de coração e poderoso em força. Quem se endureceu contra ele e prosperou?
4Sapiens corde est, et fortis robore: quis restitit ei, et pacem habuit?
5Ele remove os montes, e eles não sabem disso, quando os transtorna em sua ira.
5Qui transtulit montes, et nescierunt hi quos subvertit in furore suo.
6Ele sacode a terra do seu lugar. Suas colunas tremem.
6Qui commovet terram de loco suo, et columnæ ejus concutiuntur.
7Ele dá ordens ao sol, e ele não nasce; e sela as estrelas.
7Qui præcipit soli, et non oritur, et stellas claudit quasi sub signaculo.
8Ele sozinho estende os céus, e pisa sobre as ondas do mar.
8Qui extendit cælos solus, et graditur super fluctus maris.
9Ele faz a Ursa, o Órion e as Plêiades, e as recâmaras do sul.
9Qui facit Arcturum et Oriona, et Hyadas et interiora austri.
10Ele faz coisas grandes e insondáveis; sim, coisas maravilhosas sem número.
10Qui facit magna, et incomprehensibilia, et mirabilia, quorum non est numerus.
11Eis que ele passa por mim, e eu não o vejo. Ele também segue adiante, mas eu não o percebo.
11Si venerit ad me, non videbo eum; si abierit, non intelligam.
12Eis que ele arrebata. Quem pode impedi-lo? Quem lhe perguntará: 'O que você está fazendo?'
12Si repente interroget, quis respondebit ei? vel quis dicere potest: Cur ita facis?
13“Deus não retirará a sua ira. Os ajudantes de Raabe se curvam debaixo dele.
13Deus, cujus iræ nemo resistere potest, et sub quo curvantur qui portant orbem.
14Quanto menos eu lhe responderei, e escolherei minhas palavras para argumentar com ele?
14Quantus ergo sum ego, ut respondeam ei, et loquar verbis meis cum eo?
15Ainda que eu fosse justo, não lhe responderia. Eu faria súplicas ao meu juiz.
15qui etiam si habuero quippiam justum, non respondebo: sed meum judicem deprecabor.
16Se eu tivesse clamado, e ele me tivesse respondido, ainda assim eu não acreditaria que ele deu ouvidos à minha voz.
16Et cum invocantem exaudierit me, non credo quod audierit vocem meam.
17Pois ele me esmaga com uma tempestade, e multiplica as minhas feridas sem causa.
17In turbine enim conteret me, et multiplicabit vulnera mea, etiam sine causa.
18Ele não me permite recuperar o fôlego, mas me enche de amargura.
18Non concedit requiescere spiritum meum, et implet me amaritudinibus.
19Se é uma questão de força, eis que ele é poderoso! Se é de justiça, 'Quem', diz ele, 'me intimará?'
19Si fortitudo quæritur, robustissimus est; si æquitas judicii, nemo audet pro me testimonium dicere.
20Ainda que eu seja justo, minha própria boca me condenará. Ainda que eu seja irrepreensível, ela me provará perverso.
20Si justificare me voluero, os meum condemnabit me; si innocentem ostendero, pravum me comprobabit.
21Eu sou irrepreensível. Não me importo comigo mesmo. Eu desprezo a minha vida.
21Etiam si simplex fuero, hoc ipsum ignorabit anima mea, et tædebit me vitæ meæ.
22“É tudo a mesma coisa. Por isso eu digo que ele destrói o irrepreensível e o ímpio.
22Unum est quod locutus sum: et innocentem et impium ipse consumit.
23Se o flagelo mata de repente, ele zombará da provação dos inocentes.
23Si flagellat, occidat semel, et non de pœnis innocentum rideat.
24A terra é entregue nas mãos dos ímpios. Ele cobre o rosto dos seus juízes. Se não é ele, então quem é?
24Terra data est in manus impii; vultum judicum ejus operit. Quod si non ille est, quis ergo est?
25“Agora os meus dias são mais velozes do que um corredor. Eles fogem. Eles não veem o bem.
25Dies mei velociores fuerunt cursore; fugerunt, et non viderunt bonum.
26Eles se foram como os navios velozes, como a águia que mergulha sobre a presa.
26Pertransierunt quasi naves poma portantes; sicut aquila volans ad escam.
27Se eu disser: 'Esquecerei a minha queixa, deixarei o meu rosto triste e me alegrarei',
27Cum dixero: Nequaquam ita loquar: commuto faciem meam, et dolore torqueor.
28tenho medo de todas as minhas dores. Eu sei que você não me considerará inocente.
28Verebar omnia opera mea, sciens quod non parceres delinquenti.
29Eu serei condenado. Por que então eu trabalho em vão?
29Si autem et sic impius sum, quare frustra laboravi?
30Se eu me lavar com neve, e purificar as minhas mãos com sabão,
30Si lotus fuero quasi aquis nivis, et fulserint velut mundissimæ manus meæ,
31ainda assim você me mergulhará no fosso. Minhas próprias roupas me abominarão.
31tamen sordibus intinges me, et abominabuntur me vestimenta mea.
32Pois ele não é homem, como eu sou, para que eu lhe responda, para que compareçamos juntos em juízo.
32Neque enim viro qui similis mei est, respondebo; nec qui mecum in judicio ex æquo possit audiri.
33Não há árbitro entre nós, que possa colocar a sua mão sobre nós dois.
33Non est qui utrumque valeat arguere, et ponere manum suam in ambobus.
34Que ele tire a sua vara de sobre mim. Que o seu terror não me assuste;
34Auferat a me virgam suam, et pavor ejus non me terreat.
35então eu falaria, e não o temeria, pois não sou assim em mim mesmo.
35Loquar, et non timebo eum; neque enim possum metuens respondere.]
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