Jó 21
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1Então Jó respondeu:
1Respondens autem Job, dixit:
2“Ouçam com atenção as minhas palavras. Que isto lhes sirva de consolação.
2[Audite, quæso, sermones meos, et agite pœnitentiam.
3Permitam-me, e eu também falarei. Depois que eu tiver falado, continuem a zombar.
3Sustinete me, et ego loquar: et post mea, si videbitur, verba, ridete.
4Quanto a mim, acaso é a um homem que faço a minha queixa? Por que eu não ficaria impaciente?
4Numquid contra hominem disputatio mea est, ut merito non debeam contristari?
5Olhem para mim, e fiquem espantados. Ponham a mão sobre a boca.
5Attendite me et obstupescite, et superponite digitum ori vestro.
6Quando me lembro disso, fico perturbado. O horror toma conta da minha carne.
6Et ego, quando recordatus fuero, pertimesco, et concutit carnem meam tremor.
7“Por que os ímpios continuam vivos, envelhecem e ainda crescem em poder?
7Quare ergo impii vivunt, sublevati sunt, confortatique divitiis?
8Seus filhos se estabelecem com eles à sua vista, e os seus descendentes diante dos seus olhos.
8Semen eorum permanet coram eis: propinquorum turba et nepotum in conspectu eorum.
9Suas casas estão seguras e livres do medo; e a vara de Deus não está sobre eles.
9Domus eorum securæ sunt et pacatæ, et non est virga Dei super illos.
10Seus touros procriam sem falhar. Suas vacas dão cria, e não abortam.
10Bos eorum concepit, et non abortivit: vacca peperit, et non est privata fœtu suo.
11Eles deixam sair os seus pequeninos como um rebanho. Seus filhos dançam.
11Egrediuntur quasi greges parvuli eorum, et infantes eorum exultant lusibus.
12Eles cantam ao som do tamborim e da harpa, e se alegram ao som da flauta.
12Tenent tympanum et citharam, et gaudent ad sonitum organi.
13Eles passam os seus dias em prosperidade. Em um instante descem ao Seol.
13Ducunt in bonis dies suos, et in puncto ad inferna descendunt.
14Eles dizem a Deus: ‘Afasta-te de nós, pois não queremos conhecer os teus caminhos.
14Qui dixerunt Deo: Recede a nobis, et scientiam viarum tuarum nolumus.
15Quem é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos? Que proveito teríamos, se orássemos a ele?’
15Quis est Omnipotens, ut serviamus ei? et quid nobis prodest si oraverimus illum?
16Eis que a prosperidade deles não está em suas próprias mãos. O conselho dos ímpios está longe de mim.
16Verumtamen quia non sunt in manu eorum bona sua, consilium impiorum longe sit a me.
17“Quantas vezes a lâmpada dos ímpios se apaga, ou a calamidade cai sobre eles, ou Deus lhes reparte dores em sua ira?
17Quoties lucerna impiorum extinguetur, et superveniet eis inundatio, et dolores dividet furoris sui?
18Quantas vezes eles são como a palha diante do vento, como o restolho que a tempestade leva embora?
18Erunt sicut paleæ ante faciem venti, et sicut favilla quam turbo dispergit.
19Vocês dizem: ‘Deus guarda o castigo da iniquidade para os filhos dele.’ Que Ele retribua a ele mesmo, para que o sinta.
19Deus servabit filiis illius dolorem patris, et cum reddiderit, tunc sciet.
20Que os seus próprios olhos vejam a sua destruição. Que ele beba da ira do Todo-Poderoso.
20Videbunt oculi ejus interfectionem suam, et de furore Omnipotentis bibet.
21Pois, que se importa ele com a sua casa depois de si, quando o número dos seus meses for cortado?
21Quid enim ad eum pertinet de domo sua post se, et si numerus mensium ejus dimidietur?
22“Acaso alguém ensinará conhecimento a Deus, visto que ele julga os que estão nas alturas?
22Numquid Deus docebit quispiam scientiam, qui excelsos judicat?
23Um morre em seu pleno vigor, estando totalmente tranquilo e em paz.
23Iste moritur robustus et sanus, dives et felix:
24Seus baldes estão cheios de leite. A medula dos seus ossos está umedecida.
24viscera ejus plena sunt adipe, et medullis ossa illius irrigantur:
25Outro morre em amargura de alma, e nunca prova o que é bom.
25alius vero moritur in amaritudine animæ absque ullis opibus:
26Ambos se deitam no pó, e os vermes os cobrem.
26et tamen simul in pulvere dormient, et vermes operient eos.
27“Eis que eu conheço os pensamentos de vocês, os planos com os quais vocês me fariam injustiça.
27Certe novi cogitationes vestras, et sententias contra me iniquas.
28Pois vocês dizem: ‘Onde está a casa do príncipe? Onde está a tenda em que os ímpios habitavam?’
28Dicitis enim: Ubi est domus principis? et ubi tabernacula impiorum?
29Vocês não perguntaram aos viajantes? Não conhecem as suas evidências,
29Interrogate quemlibet de viatoribus, et hæc eadem illum intelligere cognoscetis:
30de que o homem mau é preservado no dia da calamidade, de que eles são conduzidos a salvo no dia da ira?
30quia in diem perditionis servatur malus, et ad diem furoris ducetur.
31Quem denunciará o seu caminho na sua face? Quem lhe retribuirá pelo que ele fez?
31Quis arguet coram eo viam ejus? et quæ fecit, quis reddet illi?
32Contudo, ele será levado para a sepultura. E manterão vigília sobre o seu túmulo.
32Ipse ad sepulchra ducetur, et in congerie mortuorum vigilabit.
33Os torrões do vale lhe serão doces. Todos os homens o seguirão, assim como foram inumeráveis os que o precederam.
33Dulcis fuit glareis Cocyti, et post se omnem hominem trahet, et ante se innumerabiles.
34Como, pois, vocês podem me consolar com tolices, visto que nas suas respostas só resta falsidade?”
34Quomodo igitur consolamini me frustra, cum responsio vestra repugnare ostensa sit veritati?]
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