Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1Outra pessoa, preparando-se para navegar e viajar sobre ondas furiosas, invoca um pedaço de madeira mais frágil que o barco que a transporta.
1[Iterum alius navigare cogitans, et per feros fluctus iter facere incipiens, ligno portante se, fragilius lignum invocat.
2Pois o desejo de lucro planejou o barco, e a sabedoria foi a artífice que o construiu.
2Illud enim cupiditas acquirendi excogitavit, et artifex sapientia fabricavit sua.
3Tua providência, ó Pai, o conduz, porque até no mar abriste um caminho e, nas ondas, uma passagem segura,
3Tua autem, Pater, providentia gubernat: quoniam dedisti et in mari viam, et inter fluctus semitam firmissimam,
4mostrando que podes salvar de todo perigo, para que até alguém sem experiência possa navegar.
4ostendens quoniam potens es ex omnibus salvare, etiam si sine arte aliquis adeat mare.
5É tua vontade que as obras de tua sabedoria não sejam inúteis. Por isso os homens confiam a vida a um pequeno pedaço de madeira e, atravessando as ondas numa embarcação, chegam em segurança à terra.
5Sed ut non essent vacua sapientiæ tuæ opera, propter hoc etiam et exiguo ligno credunt homines animas suas, et transeuntes mare per ratem liberati sunt.
6Pois também antigamente, quando os gigantes orgulhosos pereciam, a esperança do mundo, refugiada numa embarcação, foi guiada por tua mão e preservou a semente das futuras gerações da humanidade.
6Sed et ab initio cum perirent superbi gigantes, spes orbis terrarum ad ratem confugiens, remisit sæculo semen nativitatis quæ manu tua erat gubernata.
7Bendita é a madeira por meio da qual vem a justiça;
7Benedictum est enim lignum per quod fit justitia;
8mas maldito é o ídolo feito por mãos humanas, tanto ele como quem o fez: este, porque o produziu; aquele, porque, sendo corruptível, foi chamado de deus.
8per manus autem quod fit idolum, maledictum est et ipsum, et qui fecit illud: quia ille quidem operatus est, illud autem cum esset fragile, deus cognominatus est.
9Pois tanto o ímpio como sua impiedade são igualmente odiosos a Deus;
9Similiter autem odio sunt Deo impius et impietas ejus;
10porque a obra será castigada juntamente com quem a praticou.
10etenim quod factum est, cum illo qui fecit tormenta patietur.
11Por isso também haverá julgamento sobre os ídolos das nações, porque, embora formados de coisas criadas por Deus, tornaram-se abominação, pedras de tropeço para as almas humanas e armadilha para os pés dos insensatos.
11Propter hoc et in idolis nationum non erit respectus, quoniam creaturæ Dei in odium factæ sunt, et in tentationem animabus hominum, et in muscipulam pedibus insipientium.
12Pois a invenção dos ídolos foi o princípio da prostituição, e sua descoberta, a corrupção da vida.
12Initium enim fornicationis est exquisitio idolorum, et adinventio illorum corruptio vitæ est:
13Eles não existiam desde o princípio e não existirão para sempre.
13neque enim erant ab initio, neque erunt in perpetuum.
14Entraram no mundo pela vaidade dos homens, e por isso foi determinado para eles um fim rápido.
14Supervacuitas enim hominum hæc advenit in orbem terrarum, et ideo brevis illorum finis est inventus.]
15Um pai, consumido por uma dor prematura, fez uma imagem do filho que lhe fora tirado cedo demais. Aquele que pouco antes era apenas um ser humano morto passou a ser honrado como deus, e o pai transmitiu aos que estavam sob sua autoridade mistérios e ritos solenes.
15[Acerbo enim luctu dolens pater, cito sibi rapti filii fecit imaginem; et illum qui tunc quasi homo mortuus fuerat, nunc tamquam deum colere cœpit, et constituit inter servos suos sacra et sacrificia.
16Depois, com o passar do tempo, o costume ímpio se fortaleceu e passou a ser observado como lei, e as imagens esculpidas começaram a ser adoradas por ordem dos governantes.
16Deinde interveniente tempore, convalescente iniqua consuetudine, hic error tamquam lex custoditus est, et tyrannorum imperio colebantur figmenta.
17Quando os homens não podiam honrá-los pessoalmente por morarem longe, imaginavam de longe sua aparência, faziam uma imagem visível do rei a quem honravam e, com seu zelo, bajulavam o ausente como se estivesse presente.
17Et hos quos in palam homines honorare non poterant propter hoc quod longe essent, e longinquo figura eorum allata, evidentem imaginem regis quem honorare volebant fecerunt, ut illum qui aberat, tamquam præsentem colerent sua sollicitudine.
18Até mesmo os que não o conheciam foram levados a uma adoração ainda mais intensa, impulsionados pela ambição do artista;
18Provexit autem ad horum culturam et hos qui ignorabant artificis eximia diligentia.
19pois ele, talvez desejando agradar ao governante, usava sua arte para tornar a imagem ainda mais bela.
19Ille enim, volens placere illi qui se assumpsit, elaboravit arte sua ut similitudinem in melius figuraret.
20Então a multidão, atraída pela beleza do trabalho, passou a considerar objeto de adoração aquele que pouco antes era honrado apenas como homem.
20Multitudo autem hominum, abducta per speciem operis, eum qui ante tempus tamquam homo honoratus fuerat, nunc deum æstimaverunt.
21Isso se tornou uma armadilha, porque os homens, escravizados pela desgraça ou pela tirania, atribuíram a pedras e pedaços de madeira o Nome que não deve ser compartilhado.
21Et hæc fuit vitæ humanæ deceptio, quoniam aut affectui aut regibus deservientes homines, incommunicabile nomen lapidibus et lignis imposuerunt.]
22Depois, já não lhes bastava errar quanto ao conhecimento de Deus; vivendo numa grande guerra de ignorância, chamavam de paz a tantos males.
22[Et non suffecerat errasse eos circa Dei scientiam, sed et in magno viventes inscientiæ bello, tot et tam magna mala pacem appellant.
23Pois, sacrificando crianças em ritos solenes, celebrando mistérios secretos ou realizando festas frenéticas com costumes estranhos,
23Aut enim filios suos sacrificantes, aut obscura sacrificia facientes, aut insaniæ plenas vigilias habentes,
24já não preservavam nem a vida nem a pureza do casamento, mas um matava o outro por traição ou lhe causava sofrimento por adultério.
24neque vitam, neque nuptias mundas jam custodiunt: sed alius alium per invidiam occidit, aut adulterans contristat,
25Tudo se encheu, em confusão, de sangue e assassinato, roubo e engano, corrupção, infidelidade, tumulto e perjúrio,
25et omnia commista sunt: sanguis, homicidium, furtum et fictio, corruptio et infidelitas, turbatio et perjurium, tumultus bonorum,
26confusão sobre o que é bom, esquecimento dos favores recebidos, ingratidão pelos benefícios, corrupção das almas, desordem sexual, perturbação do casamento, adultério e libertinagem.
26Dei immemoratio, animarum inquinatio, nativitatis immutatio, nuptiarum inconstantia, inordinatio mœchiæ et impudicitiæ.
27Pois a adoração de ídolos que nem sequer devem ser nomeados é princípio, causa e fim de todo mal.
27Infandorum enim idolorum cultura omnis mali causa est, et initium et finis.
28Pois seus adoradores ou se entregam à alegria até a loucura, ou profetizam mentiras, ou vivem injustamente, ou juram falso com facilidade.
28Aut enim dum lætantur insaniunt, aut certe vaticinantur falsa, aut vivunt injuste, aut pejerant cito.
29Como depositam sua confiança em ídolos sem vida, quando fazem um juramento perverso, não esperam sofrer dano algum.
29Dum enim confidunt in idolis quæ sine anima sunt, male jurantes noceri se non sperant.
30Mas, por ambas as razões, o justo castigo os perseguirá: porque pensaram mal de Deus ao darem atenção aos ídolos e porque juraram injustamente e com engano, desprezando a santidade.
30Utraque ergo illis evenient digne, quoniam male senserunt de Deo, attendentes idolis, et juraverunt injuste, in dolo contemnentes justitiam.
31Pois não é o poder das coisas pelas quais os homens juram, mas a justa punição dos que pecam que sempre visita a transgressão dos injustos.
31Non enim juratorum virtus, sed peccantium pœna, perambulat semper injustorum prævaricationem.]

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