Liber Numeri
Chapter 22
Clementine Vulgate, 1598
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Liber Numeri 22

Clementine Vulgate, 1598
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
1Profectique castrametati sunt in campestribus Moab, ubi trans Jordanem Jericho sita est.
1Os filhos de Israel partiram e acamparam nas campinas de Moabe, do outro lado do Jordão, na altura de Jericó.
2Videns autem Balac filius Sephor omnia quæ fecerat Israël Amorrhæo,
2Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel havia feito aos amorreus.
3et quod pertimuissent eum Moabitæ, et impetum ejus ferre non possent,
3Moabe teve muito medo do povo, porque eram muitos. Moabe ficou angustiado por causa dos filhos de Israel.
4dixit ad majores natu Madian: Ita delebit hic populus omnes, qui in nostris finibus commorantur, quomodo solet bos herbas usque ad radices carpere. Ipse erat eo tempore rex in Moab.
4Moabe disse aos anciãos de Midiã: “Agora esta multidão lamberá tudo o que está ao nosso redor, como o boi lambe o capim do campo.” Balaque, filho de Zipor, era rei de Moabe naquele tempo.
5Misit ergo nuntios ad Balaam filium Beor ariolum, qui habitabat super flumen terræ filiorum Ammon, ut vocarent eum, et dicerent: Ecce egressus est populus ex Ægypto, qui operuit superficiem terræ, sedens contra me.
5Ele enviou mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Petor, que fica junto ao Rio, à terra dos filhos do seu povo, para chamá-lo, dizendo: “Eis que um povo saiu do Egito. Eis que eles cobrem a face da terra e estão acampados em frente a mim.
6Veni igitur, et maledic populo huic, quia fortior me est: si quomodo possim percutere et ejicere eum de terra mea. Novi enim quod benedictus sit cui benedixeris, et maledictus in quem maledicta congesseris.
6Portanto, venha agora, por favor, e amaldiçoe este povo para mim; pois eles são poderosos demais para mim. Talvez eu prevaleça, para que possamos atacá-los, e para que eu possa expulsá-los da terra; pois eu sei que aquele a quem você abençoa é abençoado, e aquele a quem você amaldiçoa é amaldiçoado.”
7Perrexeruntque seniores Moab, et majores natu Madian, habentes divinationis pretium in manibus. Cumque venissent ad Balaam, et narrassent ei omnia verba Balac,
7Os anciãos de Moabe e os anciãos de Midiã partiram com o pagamento da adivinhação em suas mãos. Eles chegaram a Balaão e lhe falaram as palavras de Balaque.
8ille respondit: Manete hic nocte, et respondebo quidquid mihi dixerit Dominus. Manentibus illis apud Balaam, venit Deus, et ait ad eum:
8Ele lhes disse: “Passem a noite aqui, e eu lhes trarei a resposta, conforme o SENHOR falar comigo.” Os príncipes de Moabe ficaram com Balaão.
9Quid sibi volunt homines isti apud te?
9Deus veio a Balaão e disse: “Quem são estes homens com você?”
10Respondit: Balac filius Sephor rex Moabitarum misit ad me,
10Balaão disse a Deus: “Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe, me mandou dizer:
11dicens: Ecce populus qui egressus est de Ægypto, operuit superficiem terræ: veni, et maledic ei, si quomodo possim pugnans abigere eum.
11‘Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra. Agora, venha amaldiçoá-los para mim. Talvez eu seja capaz de lutar contra eles e expulsá-los.’”
12Dixitque Deus ad Balaam: Noli ire cum eis, neque maledicas populo: quia benedictus est.
12Deus disse a Balaão: “Você não irá com eles. Você não amaldiçoará o povo, pois eles são abençoados.”
13Qui mane consurgens dixit ad principes: Ite in terram vestram, quia prohibuit me Dominus venire vobiscum.
13Balaão levantou-se de manhã e disse aos príncipes de Balaque: “Voltem para a sua terra; pois o SENHOR se recusa a me permitir ir com vocês.”
14Reversi principes dixerunt ad Balac: Noluit Balaam venire nobiscum.
14Os príncipes de Moabe se levantaram, foram a Balaque e disseram: “Balaão se recusa a vir conosco.”
15Rursum ille multo plures et nobiliores quam ante miserat, misit.
15Balaque enviou príncipes novamente, em maior número e mais honrados do que os primeiros.
16Qui cum venissent ad Balaam, dixerunt: Sic dicit Balac filius Sephor: Ne cuncteris venire ad me:
16Eles chegaram a Balaão e lhe disseram: “Assim diz Balaque, filho de Zipor: ‘Por favor, não deixe que nada o impeça de vir a mim,
17paratus sum honorare te, et quidquid volueris, dabo tibi: veni, et maledic populo isti.
17pois eu o promoverei a grandíssima honra, e farei tudo o que você me disser. Portanto, venha, por favor, e amaldiçoe este povo para mim.’”
18Respondit Balaam: Si dederit mihi Balac plenam domum suam argenti et auri, non potero immutare verbum Domini Dei mei, ut vel plus, vel minus loquar.
18Balaão respondeu aos servos de Balaque: “Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia ir além da palavra do SENHOR, meu Deus, para fazer menos ou mais.
19Obsecro ut hic maneatis etiam hac nocte, et scire queam quid mihi rursum respondeat Dominus.
19Agora, portanto, por favor, fiquem aqui esta noite também, para que eu possa saber o que mais o SENHOR me falará.”
20Venit ergo Deus ad Balaam nocte, et ait ei: Si vocare te venerunt homines isti, surge, et vade cum eis: ita dumtaxat, ut quod tibi præcepero, facias.
20Deus veio a Balaão de noite e lhe disse: “Se os homens vieram chamá-lo, levante-se e vá com eles; mas somente a palavra que eu lhe falar, essa você fará.”
21Surrexit Balaam mane, et strata asina sua profectus est cum eis.
21Balaão levantou-se de manhã, selou a sua jumenta e foi com os príncipes de Moabe.
22Et iratus est Deus. Stetitque angelus Domini in via contra Balaam, qui insidebat asinæ, et duos pueros habebat secum.
22A ira de Deus se acendeu porque ele foi; e o anjo do SENHOR colocou-se no caminho como um adversário contra ele. Ora, ele estava montado em sua jumenta, e seus dois servos estavam com ele.
23Cernens asina angelum stantem in via, evaginato gladio, avertit se de itinere, et ibat per agrum. Quam cum verberaret Balaam, et vellet ad semitam reducere,
23A jumenta viu o anjo do SENHOR em pé no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; e a jumenta desviou-se do caminho e foi para o campo. Balaão bateu na jumenta, para fazê-la voltar ao caminho.
24stetit angelus in angustiis duarum maceriarum, quibus vineæ cingebantur.
24Então o anjo do SENHOR colocou-se num caminho estreito entre as vinhas, havendo um muro de um lado e um muro do outro lado.
25Quem videns asina, junxit se parieti, et attrivit sedentis pedem. At ille iterum verberabat eam:
25A jumenta viu o anjo do SENHOR, espremeu-se contra o muro e esmagou o pé de Balaão contra o muro. Ele bateu nela novamente.
26et nihilominus angelus ad locum angustum transiens, ubi nec ad dexteram, nec ad sinistram poterat deviare, obvius stetit.
26O anjo do SENHOR foi mais adiante e colocou-se num lugar estreito, onde não havia como desviar nem para a direita nem para a esquerda.
27Cumque vidisset asina stantem angelum, concidit sub pedibus sedentis: qui iratus, vehementius cædebat fuste latera ejus.
27A jumenta viu o anjo do SENHOR e deitou-se debaixo de Balaão. A ira de Balaão se acendeu, e ele bateu na jumenta com o seu bordão.
28Aperuitque Dominus os asinæ, et locuta est: Quid feci tibi? cur percutis me ecce jam tertio?
28O SENHOR abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “O que eu lhe fiz, para que você tenha batido em mim estas três vezes?”
29Respondit Balaam: Quia commeruisti, et illusisti mihi: utinam haberem gladium, ut te percuterem !
29Balaão disse à jumenta: “Porque você zombou de mim. Quem dera houvesse uma espada em minha mão, pois agora mesmo eu a teria matado.”
30Dixit asina: Nonne animal tuum sum, cui semper sedere consuevisti usque in præsentem diem? dic quid simile umquam fecerim tibi. At ille ait: Numquam.
30A jumenta disse a Balaão: “Não sou eu a sua jumenta, na qual você montou toda a sua vida até hoje? Tive eu algum dia o costume de fazer isso com você?” Ele disse: “Não.”
31Protinus aperuit Dominus oculos Balaam, et vidit angelum stantem in via, evaginato gladio, adoravitque eum pronus in terram.
31Então o SENHOR abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do SENHOR em pé no caminho, com a sua espada desembainhada na mão; e ele inclinou a cabeça e prostrou-se com o rosto em terra.
32Cui angelus: Cur, inquit, tertio verberas asinam tuam? ego veni ut adversarer tibi, quia perversa est via tua, mihique contraria:
32O anjo do SENHOR lhe disse: “Por que você bateu na sua jumenta estas três vezes? Eis que eu saí como adversário, porque o seu caminho é perverso diante de mim.
33et nisi asina declinasset de via, dans locum resistenti, te occidissem, et illa viveret.
33A jumenta me viu e desviou-se de mim estas três vezes. Se ela não tivesse se desviado de mim, certamente agora eu o teria matado, e a teria deixado viva.”
34Dixit Balaam: Peccavi, nesciens quod tu stares contra me: et nunc si displicet tibi ut vadam, revertar.
34Balaão disse ao anjo do SENHOR: “Eu pequei; pois não sabia que você estava em pé no caminho contra mim. Agora, portanto, se isso lhe desagrada, eu voltarei.”
35Ait angelus: Vade cum istis, et cave ne aliud quam præcepero tibi loquaris. Ivit igitur cum principibus.
35O anjo do SENHOR disse a Balaão: “Vá com os homens; mas você falará somente a palavra que eu lhe falar.” Assim Balaão foi com os príncipes de Balaque.
36Quod cum audisset Balac, egressus est in occursum ejus in oppido Moabitarum, quod situm est in extremis finibus Arnon.
36Quando Balaque ouviu que Balaão havia chegado, ele saiu ao seu encontro até a Cidade de Moabe, que fica na fronteira do Arnom, na extremidade da fronteira.
37Dixitque ad Balaam: Misi nuntios ut vocarent te: cur non statim venisti ad me? an quia mercedem adventui tuo reddere nequeo?
37Balaque disse a Balaão: “Eu não mandei chamá-lo com insistência? Por que você não veio a mim? Não sou eu de fato capaz de promovê-lo a honra?”
38Cui ille respondit: Ecce adsum: numquid loqui potero aliud, nisi quod Deus posuerit in ore meo?
38Balaão disse a Balaque: “Eis que eu vim a você. Tenho eu agora algum poder para falar alguma coisa? Falarei a palavra que Deus colocar em minha boca.”
39Perrexerunt ergo simul, et venerunt in urbem, quæ in extremis regni ejus finibus erat.
39Balaão foi com Balaque, e eles chegaram a Quiriate-Huzote.
40Cumque occidisset Balac boves et oves, misit ad Balaam, et principes qui cum eo erant, munera.
40Balaque sacrificou bois e ovelhas, e enviou a Balaão e aos príncipes que estavam com ele.
41Mane autem facto, duxit eum ad excelsa Baal, et intuitus est extremam partem populi.
41Pela manhã, Balaque tomou Balaão e o levou para os altos de Baal; e de lá ele viu uma parte do povo.

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