Daniel 4
Bíblia Portuguesa Mundial (Brazilian Portuguese)
Clementine Vulgate, 1598
1O rei Nabucodonosor, a todos os povos, nações e línguas que habitam em toda a terra: Paz lhes seja multiplicada.
1Ego Nabuchodonosor quietus eram in domo mea, et florens in palatio meo:
2Pareceu-me bem declarar os sinais e maravilhas que o Deus Altíssimo realizou em meu favor.
2somnium vidi, quod perterruit me: et cogitationes meæ in strato meo, et visiones capitis mei conturbaverunt me.
3Quão grandes são os seus sinais! Quão poderosas são as suas maravilhas! O seu reino é um reino eterno. O seu domínio é de geração em geração.
3Et per me propositum est decretum ut introducerentur in conspectu meo cuncti sapientes Babylonis, et ut solutionem somnii indicarent mihi.
4Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e próspero em meu palácio.
4Tunc ingrediebantur arioli, magi, Chaldæi, et aruspices, et somnium narravi in conspectu eorum: et solutionem ejus non indicaverunt mihi,
5Tive um sonho que me assustou; e os pensamentos em minha cama e as visões da minha mente me perturbaram.
5donec collega ingressus est in conspectu meo Daniel, cui nomen Baltassar secundum nomen dei mei, qui habet spiritum deorum sanctorum in semetipso: et somnium coram ipso locutus sum.
6Por isso, decretei que trouxessem à minha presença todos os sábios da Babilônia, para que me dessem a conhecer a interpretação do sonho.
6Baltassar, princeps ariolorum, quoniam ego scio quod spiritum sanctorum deorum habeas in te, et omne sacramentum non est impossibile tibi: visiones somniorum meorum, quas vidi, et solutionem earum narra.
7Então entraram os magos, os encantadores, os caldeus e os adivinhos; e eu lhes contei o sonho, mas eles não me deram a conhecer a sua interpretação.
7Visio capitis mei in cubili meo: videbam, et ecce arbor in medio terræ, et altitudo ejus nimia.
8Por fim, Daniel entrou à minha presença, cujo nome era Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e em quem há o espírito dos deuses santos. Eu contei o sonho diante dele, dizendo:
8Magna arbor, et fortis, et proceritas ejus contingens cælum: aspectus illius erat usque ad terminos universæ terræ.
9“Beltessazar, chefe dos magos, como sei que o espírito dos deuses santos está em você e nenhum mistério o perturba, diga-me as visões do sonho que tive e a sua interpretação.
9Folia ejus pulcherrima, et fructus ejus nimius: et esca universorum in ea. Subter eam habitabant animalia et bestiæ, et in ramis ejus conversabantur volucres cæli: et ex ea vescebatur omnis caro.
10Estas foram as visões da minha mente na minha cama: Eu olhei, e eis uma árvore no meio da terra; e a sua altura era imensa.
10Videbam in visione capitis mei super stratum meum, et ecce vigil, et sanctus, de cælo descendit.
11A árvore cresceu e se tornou forte. A sua altura chegava até o céu, e ela era visível até os confins de toda a terra.
11Clamavit fortiter, et sic ait: Succidite arborem, et præcidite ramos ejus: excutite folia ejus, et dispergite fructus ejus: fugiant bestiæ, quæ subter eam sunt, et volucres de ramis ejus.
12Suas folhas eram belas, e o seu fruto abundante, e nela havia alimento para todos. Os animais do campo encontravam sombra debaixo dela, e as aves do céu habitavam em seus ramos, e toda criatura se alimentava dela.
12Verumtamen germen radicum ejus in terra sinite, et alligetur vinculo ferreo et æreo in herbis quæ foris sunt, et rore cæli tingatur, et cum feris pars ejus in herba terræ.
13“Eu via nas visões da minha mente na minha cama, e eis que um vigilante santo desceu do céu.
13Cor ejus ab humano commutetur, et cor feræ detur ei: et septem tempora mutentur super eum.
14Ele clamou em alta voz e disse o seguinte: 'Derrubem a árvore e cortem os seus ramos! Sacudam as suas folhas e espalhem os seus frutos! Afugentem os animais debaixo dela e as aves dos seus ramos.
14In sententia vigilum decretum est, et sermo sanctorum, et petitio: donec cognoscant viventes quoniam dominatur Excelsus in regno hominum, et cuicumque voluerit, dabit illud, et humillimum hominem constituet super eum.
15Contudo, deixem o toco com as suas raízes na terra, preso com cadeias de ferro e de bronze, na relva tenra do campo; e seja ele molhado com o orvalho do céu. Que a sua porção seja com os animais na erva da terra.
15Hoc somnium vidi ego Nabuchodonosor rex: tu ergo Baltassar interpretationem narra festinus, quia omnes sapientes regni mei non queunt solutionem edicere mihi: tu autem potes, quia spiritus deorum sanctorum in te est.
16Que o seu coração seja mudado, deixando de ser humano, e lhe seja dado um coração de animal. E passem sobre ele sete tempos.
16Tunc Daniel, cujus nomen Baltassar, cœpit intra semetipsum tacitus cogitare quasi una hora: et cogitationes ejus conturbabant eum. Respondens autem rex, ait: Baltassar, somnium et interpretatio ejus non conturbent te. Respondit Baltassar, et dixit: Domine mi, somnium his, qui te oderunt, et interpretatio ejus hostibus tuis sit.
17“'A sentença é por decreto dos vigilantes, e a exigência pela palavra dos santos, com o propósito de que os vivos saibam que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem ele quer, e estabelece sobre ele o mais humilde dos homens.'
17Arborem, quam vidisti sublimem atque robustam, cujus altitudo pertingit ad cælum, et aspectus illius in omnem terram;
18“Este é o sonho que eu, o rei Nabucodonosor, tive; e você, Beltessazar, declare a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não são capazes de me dar a conhecer a interpretação; mas você é capaz, pois o espírito dos deuses santos está em você.”
18et rami ejus pulcherrimi, et fructus ejus nimius, et esca omnium in ea, subter eam habitantes bestiæ agri, et in ramis ejus commorantes aves cæli:
19Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, ficou emudecido por um momento, e os seus pensamentos o perturbaram. O rei respondeu: “Beltessazar, não deixe que o sonho ou a sua interpretação o perturbe.” Beltessazar respondeu: “Meu senhor, que o sonho seja para aqueles que o odeiam, e a sua interpretação para os seus adversários.
19tu es rex, qui magnificatus es, et invaluisti: et magnitudo tua crevit, et pervenit usque ad cælum, et potestas tua in terminos universæ terræ.
20A árvore que você viu, que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegava até o céu e era visível por toda a terra;
20Quod autem vidit rex vigilem, et sanctum descendere de cælo, et dicere: Succidite arborem, et dissipate illam, attamen germen radicum ejus in terra dimittite, et vinciatur ferro et ære in herbis foris, et rore cæli conspergatur, et cum feris sit pabulum ejus, donec septem tempora mutentur super eum:
21cujas folhas eram belas e o seu fruto abundante, e nela havia alimento para todos; debaixo da qual viviam os animais do campo, e em cujos ramos as aves do céu tinham a sua habitação —
21hæc est interpretatio sententiæ Altissimi, quæ pervenit super dominum meum regem,
22é você, ó rei, que cresceu e se tornou forte; pois a sua grandeza cresceu e chega até o céu, e o seu domínio até os confins da terra.
22Ejicient te ab hominibus, et cum bestiis ferisque erit habitatio tua, et fœnum ut bos comedes, et rore cæli infunderis: septem quoque tempora mutabuntur super te, donec scias quod dominetur Excelsus super regnum hominum, et cuicumque voluerit, det illud.
23“E quanto ao fato de o rei ter visto um vigilante santo descendo do céu e dizendo: 'Derrubem a árvore e destruam-na; contudo, deixem o toco com as suas raízes na terra, preso com cadeias de ferro e de bronze, na relva tenra do campo, e seja ele molhado com o orvalho do céu. Que a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos.'
23Quod autem præcepit ut relinqueretur germen radicum ejus, id est arboris: regnum tuum tibi manebit postquam cognoveris potestatem esse cælestem.
24“Esta é a interpretação, ó rei, e é o decreto do Altíssimo, que veio sobre o meu senhor, o rei:
24Quam ob rem, rex, consilium meum placeat tibi, et peccata tua eleemosynis redime, et iniquitates tuas misericordiis pauperum: forsitan ignoscet delictis tuis.
25Você será expulso do meio dos homens e a sua morada será com os animais do campo. Você será forçado a comer capim como os bois, e será molhado com o orvalho do céu, e sete tempos passarão sobre você, até que reconheça que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem ele quer.
25Omnia hæc venerunt super Nabuchodonosor regem.
26E quanto à ordem para deixar o toco com as raízes da árvore, o seu reino lhe será garantido depois que você reconhecer que os Céus dominam.
26Post finem mensium duodecim, in aula Babylonis deambulabat.
27Portanto, ó rei, que o meu conselho lhe seja aceitável: rompa com os seus pecados praticando a justiça, e com as suas iniquidades demonstrando misericórdia aos pobres. Talvez haja um prolongamento da sua tranquilidade.”
27Responditque rex, et ait: Nonne hæc est Babylon magna, quam ego ædificavi in domum regni, in robore fortitudinis meæ, et in gloria decoris mei?
28Tudo isso sobreveio ao rei Nabucodonosor.
28Cumque sermo adhuc esset in ore regis, vox de cælo ruit: Tibi dicitur, Nabuchodonosor rex: Regnum tuum transibit a te,
29Ao fim de doze meses, ele estava caminhando no palácio real da Babilônia.
29et ab hominibus ejicient te, et cum bestiis et feris erit habitatio tua: fœnum quasi bos comedes, et septem tempora mutabuntur super te, donec scias quod dominetur Excelsus in regno hominum, et cuicumque voluerit, det illud.
30O rei falou e disse: “Não é esta a grande Babilônia, que eu construí para a residência real, pela força do meu poder e para a glória da minha majestade?”
30Eadem hora sermo completus est super Nabuchodonosor, et ex hominibus abjectus est, et fœnum ut bos comedit, et rore cæli corpus ejus infectum est, donec capilli ejus in similitudinem aquilarum crescerent, et ungues ejus quasi avium.
31Enquanto a palavra ainda estava na boca do rei, veio uma voz do céu, dizendo: “Ó rei Nabucodonosor, a você é declarado: 'O reino foi tirado de você.
31Igitur post finem dierum, ego Nabuchodonosor oculos meos ad cælum levavi, et sensus meus redditus est mihi: et Altissimo benedixi, et viventem in sempiternum laudavi et glorificavi: quia potestas ejus potestas sempiterna, et regnum ejus in generationem et generationem.
32Você será expulso do meio dos homens, e a sua morada será com os animais do campo. Você será forçado a comer capim como os bois. Sete tempos passarão sobre você, até que reconheça que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem ele quer.'”
32Et omnes habitatores terræ apud eum in nihilum reputati sunt: juxta voluntatem enim suam facit tam in virtutibus cæli quam in habitatoribus terræ: et non est qui resistat manui ejus, et dicat ei: Quare fecisti?
33Na mesma hora, isso se cumpriu em Nabucodonosor. Ele foi expulso do meio dos homens e comeu capim como os bois; e o seu corpo foi molhado com o orvalho do céu, até que o seu cabelo cresceu como as penas das águias, e as suas unhas como as garras das aves.
33In ipso tempore sensus meus reversus est ad me, et ad honorem regni mei, decoremque perveni: et figura mea reversa est ad me, et optimates mei et magistratus mei requisierunt me, et in regno meo restitutus sum: et magnificentia amplior addita est mihi.
34Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e o meu entendimento voltou a mim; e eu abençoei o Altíssimo, e louvei e honrei aquele que vive para sempre, pois o seu domínio é um domínio eterno, e o seu reino é de geração em geração.
34Nunc igitur, ego Nabuchodonosor laudo, et magnifico, et glorifico regem cæli: quia omnia opera ejus vera, et viæ ejus judicia, et gradientes in superbia potest humiliare.
35Todos os habitantes da terra são considerados como nada; e ele age segundo a sua vontade no exército do céu, e entre os habitantes da terra; e ninguém pode deter a sua mão, ou questioná-lo: “O que estás fazendo?”
no verse 35 in this text
36Naquele mesmo tempo, o meu entendimento voltou a mim; e para a glória do meu reino, a minha majestade e o meu resplendor voltaram a mim. Os meus conselheiros e os meus nobres me procuraram; e eu fui restabelecido no meu reino, e uma grandeza extraordinária me foi acrescentada.
no verse 36 in this text
37Agora eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e honro o Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos são justiça; e ele é poderoso para humilhar os que andam na soberba.
no verse 37 in this text
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